Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

Publicidade a metro

*


«Gratuito - feito ou dado de graça, sem remuneração; que não tem fundamento[...]; desinteressado.»


Ao desfolhar o Metro com uma inusitada atenção, descobri um jornal (jornal?) de publicidade com noticias. Palavra de honra que não me enganei ao escrever. O Metro faz lembrar uma caixa de correio urbana que deixou de ser vistoriada há alguns dias. Uma análise simples do espaço dedicado pelo Metro a publicidade, revela a existência de 10 páginas com um quarto do seu espaço ocupado ( em algumas das quais os anúncios encontram-se mesmo no centro das notícias), 4 páginas com metade do seu espaço preenchido, 5 páginas integralmente ocupadas por publicidade e uma contra-capa constituida somente por publicidade. Por vezes, surgem ainda suplementos de 10 páginas do Media Markt. Tudo isto num gratuito  que totaliza apenas 19 páginas. Ou seja, não há páginas sem publicidade. Por outro lado, Agência Abreu (capa), Tivolli, Revista Lux, Concertos Lisboa, Western Union, Cofidis, Electronic Arts(x2), Pollux, Volkswagen (x2), Bacalhau Riberalves, Casa de Ouro, Vinho Marquês de Borba, Benecol, Bizpoint, ExChange, Luso-roux, Lojas Humana, Credial, Centro Comercial Gran Plaza, Suzuki, Deco Proteste, Aigle Azur são as 22 (!) entidades que são promovidas pelo gratuito em causa, ocupando cerca de 45% do papel distribuido e afastando consideravelmente o Metro do conceito de jornal feito de graça e/ou desinteressado. Publicidade gratuita é mais adequado. Disfarçada de jornal amigo, gratuito e arejado.

ps1- No dia em que inspeccionei o Metro, 6 Novembro, o «destaque de capa» não era o debate do orçamento, o acidente da A23 ou o facto de termos um Outubro quente em Portugal. A capa é fundamentalmente uma fotografia de Fátima Lopes com a legenda - «os portugueses começam a entender a originalidade de Fátima Lopes e a sua criatividade única».  Repare-se na classe da utilização de «os portugueses». Hilariante. No interior, uma mini-entrevista onde se podem encontrar eloquentes e confucianos pensamentos. «Gosto da diferença. Não discrimino ninguém» ou «Ser sensual é uma questão de ser e não de vestir, mas a vulgaridade é feia.» são os que mais se destacam. Quanto custa um pacote Capa+Entrevista? 

ps2 - No mesmo dia o Meia-Hora apresentava uma capa diferente, mas claramente gratuita, se me permitem o jogo de palavras. «A oposição vai toda votar contra o orçamento mas isso não adianta nada porque a maioria socialista é suficiente para aprovar o documento. Resta esperar que Santana Lopes anime o Parlamento no seu regresso à liderança» era a noticia de destaque. Resta esperar ? Animar o Parlamento? Não adianta nada? Jornalismo gratuito.


* João Roldão

publicado por pcpdiagonal às 09:25

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